histórias e pedacinhos de cor

01 June, 2005

Menino Sol.



Olá, eu sou o Menino Sol.

Bem sei, não estão habituados a ver-me como um menino, não é?
Acham que sou uma imensa bola de fogo, intocável, que não brinco, que não corro, que não choro. Engano vosso.

Sou um menino como todos vocês, só com uma diferença, vivo cá em cima, bem cá no alto, no cimo do mundo onde se passeiam as estrelas e dançam os cometas.

É bom viver aqui... durante o dia, posso fazer corridas com o vento pelo céu azul e brincar às escondidas com as nuvens, essas imensas bolas de algodão que servem de berço aos anjos mas o que mais gosto é de andar a galope, pela imensidão do universo, na garoupa da via láctea.

Depois, ao final do dia, procuro uma caminha para me deitar...espreguiço com força os meus raios e aninho-me aos poucos por detrás de uma montanha, sobre o azul infinito do oceano ou no linear conforto do horizonte.

Só me aborreço quando fico sem ninguém para brincar; é que o vento gosta de convidar as nuvens para passeios à beira-mar - são namorados, sabes? - e ficam por lá horas a fio... apanham conchinhas, fazem castelos de areia, ele conta-lhes segredos e faz-lhes cócegas com brisas salpicadas de sal, e elas - as fôfas nuvenzinhas - envolvem-no com abraços macios e ternos, aconchegando no colo de espuma o seu sopro forte.

Então ficam ali, nuvens e vento, perdidos nos olhos uns dos outros... e eu acabo por me sentir sózinho, ali no meio de tantos suspiros e vou-me embora.

É nessas alturas que me debruço com cuidado para vos ver, para espreitar o que andam a fazer cá por baixo, desejando que estejam preparados para me receber.


Sim, porque sabem que a minha luz, o meu brilho, são muito fortes por isso devem esperar-me sempre com aquela capa branquinha - que vos faz parecer bolachinhas enfarinhadas - com que os papás vos protegem; desta forma, só posso fazer-vos bem. E eu sinto-me muito feliz quando vejo esses sorrisos nas vossas carinhas marotas.

Uns dias por outros, quando a mãe dela deixa, recebo a animada visita da Anita, uma girafa que tem um pescoço ainda mais longo do que todas as outras girafas da savana, tão comprido, tão comprido que toca no tecto do céu. Quando ela vem, divertimo-nos à grande e enchemos a barriga de algodão doce com as sete cores do arco-íris, até sermos interrompidas pelos gritos da mamã dela "Anita, onde tens essa cabeça? Lá estás tu outra vez nas nuvens!"

Mas quando a Anita se vai embora, fico com o coração apertadinho de saudades, desejoso de que ela volte em breve para mais uma tarde de brincadeira.

Então pensei que talvez pudesse brincar convosco...que talvez vocês pudessem de vez em quando olhar para mim, bem cá no alto, rasgar-me um sorriso, cantar-me uma canção ou mandar-me um beijo.

Digam-me adeus, mostrem-me um desenho, deêm saltos e pinotes , abracem as árvores, as pedras, as ondas, o mundo inteiro e assim saberei que vos faço felizes.

E da próxima vez que forem à praia, lá pela tardinha, quando me virem ensonado, a vestir o meu pijama laranja, rosa e violeta... corram pelo areal, chamem o meu nome bem alto e eu prometo voltar no dia seguinte, pela fresquinha, para encher de magia mais uma manhã.

Posted by Hello

27 May, 2005

O prometido é devido

Pois é, o prometido é devido e quando se trata de uma promessa de mãe, a garantia do seu cumprimento é ainda maior.

Tudo porque a minha f sempre gostou muito dos desenhos que faço para ela e das histórias que inventamos para cada rabisco que fazemos juntas. Se há coisa que nunca falta lá em casa é papel, blocos, canetas de feltro, lápis de cor, de cera e afins.

O que aconteceu foi que, com a mudança, a f passou a ter outro quarto e impunha-se a decoração deste novo espaço sob o lema acordado por ambas: queremos um quarto onde seja impossível ficar triste.


E de mãos dadas e carinha bem disposta lá saímos as duas em busca de tudo o que nos fizesse sorrir, fossem móveis, lençóis, molduras ou quadros. Foi quando andámos à procura de quadros que nos deparámos com uma questão de difícil resolução: ou não gostávamos do que víamos, porque à ilustração faltava vida e cor, ou aquilo de que gostávamos excedia os euros que levávamos no bolso.

Foi aí que ela, com a naturalidade que lhe é habitual, me disse “mamã, porque não fazes tu os quadros para o meu quarto novo? gosto mais dos teus desenhos”.

Um quadro?? Eu?
Bem sei que para eles somos sempre os melhores do mundo, sabemos fazer tudo, mas um quadro? daqueles que se expõe na parede? ...risos... e lá lhe fui tentando explicar que percebo tanto de pintura como de mecânica.

A verdade é que não pintava desde a época do liceu, em que dávamos umas pinceladas com guache ou aguarelas, mas tanta foi a insistência e tão ternos foram os elogios que acabei por me sentir mais segura e após mais alguns desenhos, aventurei-me na compra de telas, pincéis e tintas.


Independentemente do resultado final, todo o meu esforço valeu a pena, porque passámos umas tardes de Verão maravilhosas, entre quadros e histórias recheadas de sonho e de espanto que fomos criando para cada desenho, as duas num ambiente de cumplicidade e de mimos, eu disfarçada de artista e ela como comentadora dos trabalhos.

Quando o quarto ficou pronto, lá estavam eles, “os quadros que a mamã fez para mim”, nobremente expostos na parede como se de verdadeiras obras primas se tratassem. E ela olha para eles com admiração – quando é que eu ia imaginar – e indeferente à minha vergonha, adora mostrá-los às amiguinhas e a quem por lá passa, ao ponto de “mamã, vamos mostrar os nossos quadros a toda a gente do mundo e ainda mais até à lua, boa? Prometes?”

Não é que prometi? Logo eu que quando olho para aquelas telas, salpicadas de cor, a par da falta de conhecimentos e de técnica evidentes, vejo apenas o fruto da imensa vontade que tenho de vê-la feliz.

Em suma...
...depois da primeira experiência, outras se seguiram - convenhamos que era preciso rentabilizar o investimento feito em tintas e pincéis; até o tio j, que viu a sua casa ser invadida por um exército de telas, godés, frascos e frasquinhos, tintas, pinceís, trapos, blocos e outros tantos projectos, acabou por se deixar ir na onda e, também ele sem qualquer experiência no métie, armado apenas de curiosidade e entusiasmo, vai enchendo de cor as próprias paredes com telas giríssimas.

Pois... se não podes vencê-los, junta-te a eles, não é j?

Por esta razão nasce este blog, a dar cumprimento à promessa feita. Esta foi a melhor forma que encontrei - pelo menos é discreta! - de mostrar os nossos quadros e contar as nossas histórias a toda a gente do mundo – ou seja, a quem, por acaso, aceder ao blog – e ainda mais até à lua – os lunáticos também têm net, certo?

Vês, f, quando a mamã promete, tudo acontece, com muito amor, um amor imenso, do tamanho do mundo e ainda mais atá à lua.

26 May, 2005

Cucu, sou eu, a melancia cor de rosa.


Acabei de nascer.
Linda, rosadinha, 48cm, 4,320Kg.
Este é o meu Olá ao mundo!
Posted by Hello